Setembro Amarelo: quando o sofrimento também nasce do trabalho

 Por: Assessoria de Comunicação01/09/2026 07h00
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Setembro é marcado pela prevenção ao suicídio e pela valorização da vida. Mas, para falar de saúde mental com quem trabalha, é preciso fazer uma pergunta que nem sempre aparece nas campanhas: e quando parte do sofrimento também nasce das condições de trabalho?

Para muitos trabalhadores e trabalhadoras de instituições beneficentes, religiosas e filantrópicas, o cotidiano profissional envolve cuidar de outras pessoas em situações difíceis. São profissionais presentes em serviços de saúde, assistência social, educação, acolhimento e outras atividades que lidam diariamente com vulnerabilidades, conflitos, doenças, violência e violações de direitos.

Esse trabalho tem enorme importância social, por isso, cuidar de quem cuida também exige olhar para as condições em que esse trabalho é realizado.

Setembro Amarelo: uma campanha para falar sobre prevenção

O Setembro Amarelo se consolidou no Brasil como uma mobilização de conscientização e prevenção ao suicídio. A primeira edição do movimento aconteceu em 2015, tendo o Centro de Valorização da Vida (CVV) entre seus principais viabilizadores. Ao longo dos anos, a campanha ajudou a abrir espaço para conversas antes cercadas de silêncio e preconceito, estimulando a busca por ajuda e o acolhimento de pessoas em sofrimento.

Essa conversa continua indispensável. Mas, no mundo do trabalho, ela precisa avançar também sobre as causas e circunstâncias que podem contribuir para o adoecimento.

Nem todo sofrimento se resolve com autocuidado

Descansar, conversar com alguém de confiança, procurar atendimento profissional e reservar tempo para si são atitudes importantes, mas existe um limite para aquilo que pode ser resolvido individualmente.

Quando uma equipe trabalha constantemente desfalcada, por exemplo, não basta dizer ao trabalhador que ele precisa “administrar melhor o estresse”.

Quando uma pessoa acumula funções, recebe cobranças excessivas, enfrenta jornadas difíceis ou passa seus dias lidando com situações de violência e sofrimento sem apoio adequado, não é suficiente recomendar que ela encontre maneiras de “ser mais resiliente”.

Cuidado individual é importante, mas não substitui prevenção e condições adequadas dentro do trabalho. Equipes suficientes, organização das jornadas, respeito aos limites profissionais, ambientes livres de assédio e violência, supervisão adequada, apoio às equipes e relações de trabalho respeitosas também fazem parte da proteção à saúde.

Quando a falta de estrutura vira peso 

Quando faltam profissionais, a carga extra pode acabar sendo absorvida individualmente por quem está na ponta. A sobrecarga pode aparecer de muitas formas: cobrir repetidamente a ausência de colegas, assumir tarefas que deveriam ser divididas entre mais pessoas, lidar com situações graves sem suporte, trabalhar em horários que comprometem o descanso ou carregar para casa preocupações que começaram durante o expediente.

Reconhecer essa realidade não diminui a importância do trabalho realizado pelas instituições. Ao contrário: valorizar um serviço socialmente importante também significa valorizar e proteger as pessoas que tornam esse serviço possível. Saúde mental no trabalho, portanto, não pode ser responsabilidade exclusiva de quem adoece.

Onde buscar ajuda?

Quem está passando por sofrimento emocional pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Em situações de urgência, é possível procurar uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital, além de acionar o SAMU pelo número 192.

Outra possibilidade é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. O atendimento pelo telefone 188 é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias.

Lembre-se: sobrecarga, jornadas difíceis, conflitos, insegurança e contato constante com situações de sofrimento podem afetar o bem-estar de quem trabalha.

Falar de Setembro Amarelo é falar de escuta, acolhimento e busca por ajuda. Para o movimento sindical, também significa também defender ambientes de trabalho que não naturalizem o esgotamento. Nenhum trabalhador precisa provar compromisso com a instituição suportando tudo em silêncio.

Se você estiver passando por uma situação de sofrimento intenso ou crise emocional, procure ajuda profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. 

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